segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Isso é sobre Copacabana,



a gente não se escolheu ou coisa assim. Sempre houve o apartamento da Raimundo Corrêia. Na época do açúcar e do álccol (e o que mais a gente pode querer?), meus avós compraram o apartamento pra guardar os carros quando vinham ao Rio. Até então acho que o bisa era presidente da associação dos usineiros ou coisa assim. Muitos tinham usinas maiores, mas ele tinha duas, e muito mais, uma ideologia que nem o futuro ainda entendeu. Tava falando do quê mesmo? Daí toda a época que me lembro eu vinha ao Rio e ficava no apartamento da Raimundo Corrêia. Ele tinha cheiro de Mac Chicken, shopping, Jockey Club e mofo das cortinas de teatro.
Ele nunca teve a cara de ninguém, até porque tanta, mas muita gente passou por aqui. Moraram primas estudantes de medicina, amigas de Vitória, gente da Bahia,  irmã, namorados, maridos, Caetano Veloso numa madrugada de festa, gatos suicidas.
Hoje moro aqui com minha família. Que louco isso. Filha, marido, máquina de lavar quebrada, isso tudo.

Não tem como sair de Copacabana eu acho, por isso vou ficando. Olhando, catalogando velhinhas, discutindo com elas na feira, entrando e saíndo de lojinhas, namorando antiguidades, me atirando pra atravessar a Nossa Senhora, reclamando.

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